Muito tem se falado em consensualidade, mas sinto que pouco se discutiu o que realmente implica uma relação consensual. Não há meio termo quando se fala em sexo: ou as pessoas envolvidas consentiram em praticar seja lá o que for, ou não consentiram e, nesse caso, houve um abuso. Até aí, todos concordam.
O problema maior é que, na verdade, não basta consentir. Porque, se pensarmos bem, uma criança pode facilmente ser induzida a consentir com qualquer coisa se lhe derem um doce, um presente ou mesmo apenas se for coagida a consentir com base na sua fragilidade.
Não!
Para se dizer que uma relação foi consensual é preciso mais do que consentir. É preciso que esse consentimento seja livre e consciente. Não basta dizer "sim" ou permitir passivamente.
É preciso que todos os envolvidos sintam-se livres de qualquer coação. No sexo principalmente o consentir deve estar associado ao desejo mútuo de prazer. Assim, para eu consentir preciso me sentir livre de qualquer tipo de pressão. Qualquer tipo de coação é discutível neste sentido. Até aquela do namoradinho dizendo "Se você me ama, fará isso por mim..."
Além disso é preciso estar consciente para permitir qualquer coisa. Consciente no mais amplo sentido dessa palavra. Consciente dos riscos. Consciente dos próprios desejos e limites. É preciso estar inteiro. Consciente também no sentido de estar capacitado a permitir. Não pode estar bêbado, por exemplo, ou estar debilitado de qualquer maneira. E aqui lembrando que nem vale a máxima "Quem cala, consente" e menos ainda a fatídica "C* de bébado não tem dono".
E depois, ora, qual a graça de estar com uma pessoa bêbada? Eu sei que muitos homens podem até achar essa prática interessante, mas não ver os olhos, o gozo, a alegria??? Como assim? Uma amiga costumava dizer que os homens tiram prazer das coisas mais absurdas. Mas em abuso? Não somos animais, não somos só instinto. Somos alma, enredo, sensações, risos... Somos tão grandes e temos tantas possibilidades.
Busquemos relações onde todos estejam inteiros e se sintam dignos.
segunda-feira, 16 de janeiro de 2012
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